Marcelo Ennes
   Carta aos meus (ex)alunos.

Escrevo especialmente para meus alunos e ex-alunos

Gostaria de iniciar esse texto dizendo que, apesar de não ser filiado ao PT, defendo o voto em Dilma. Escrevo para explicar o motivo.

Acho que todos me conhecem e sabem que tenho meus defeitos e limites, mas também conhecem meu compromisso e respeito por todos. Acho que uma das maiores provas desse respeito é o fato de nunca, em nenhuma situação, ter utilizado minhas aulas para fazer proselitismo político, para defender esse ou aquele candidato, esse ou aquele partido, apesar de sempre ter deixado claro minha opinião e meu posicionamento político.

Escrevo hoje para retomar uma questão sempre presente em minhas aulas independente da instituição, do curso, ou se estava em um curso de graduação, especialização ou mestrado. Minha utopia é uma sociedade formada por pessoas autônomas e capazes de pensar e decidir por conta própria e por isso lhes escrevo.

As eleições de 2010, infelizmente, não avançaram muito em termos da consolidação de nossa cultura democrática. Há, por outro lado, algo a se comemorar. Estamos na sexta eleição presidencial consecutiva dentro dos limites do Estado Democrático de Direito. Um recorde, considerando a história política de nosso país.

Apesar desse aspecto positivo, infelizmente, a mentira, a dissimulação e o vale-tudo predominam nessas eleições.

É verdade, o PT decepcionou no governo. Muitos se sentem traídos pelo PT. Não deixo de entender e concordar. O PT não foi aquilo que sonhávamos... Não rompeu por completo com o nepotismo, com a corrupção e com o fisiologismo. Por isso tem companhias tão incomodas como a do Sarney, Collor e outros políticos conhecidos por seu passado nada ético. Para mim isto está associado às alianças que fez para se tornar um partido eleitoralmente viável em disputas presidenciais. Por isso, tudo o que aconteceu nesses últimos oitos de governo Lula não chega a me surpreender.

No entanto, e por isso escrevo, vocês precisam ter claro que a corrupção, o fisiologismo, o nepotismo, os dólares da cueca, os mensalões, não foram criados pelo PT. Por favor, meus caros alunos pensem com calma: o que era o Brasil há oito anos atrás? Um paraíso? Um país isento desses males? Por favor, peguem os livros de história, entre os arquivos virtuais dos jornais de maior circulação no Brasil e relembrem o que era o Brasil. Não vivemos a fase mais corrupta de nossa história, posso afirmar isso com base no que estudei e vocês também podem verificar essa realidade fazendo esse exercício de leitura sobre nossa história.

Para combater esse vale-tudo,  gostaria que refletissem sobre os seguintes aspectos:

1) Eleições não é jogo de futebol. Vejo vários alunos (a exemplo de muitos brasileiros) torcendo pelo candidato X ou Y. Gente, política não é isso. Não se trata de torcer por esse ou aquele time. Não se deve esperar o dia seguinte da eleição como se espera o dia seguinte de uma decisão de futebol para “mangar” do torcedor do time adversário. Não dá! A política, é sim, coisa séria. É nesse campo (o da política e não o do futebol) que nossas vidas são decididas. Não devemos torcer por candidatos, devemos compartilhar de idéias, princípios e propostas. Ao votar em um candidato, assumimos, consciente ou inconscientemente, suas idéias e suas atitudes.

2) Eleições não é reality Show. Uma grande parte da população brasileira já está vivendo as expectativas do próximo BBB. Há quantos anos esse programa é veiculado na maior emissora de TV do Brasil? Vejo que o BBB (e outros reality shows) assumiu uma tal importância em nossa sociedade que passou a moldar nosso modo de ver o mundo. Por isso é necessário dizer que a política não é reality show. Sabem por quê? Porque na política não somos apenas expectadores. Porque os resultados da política não se encerram no último dia do programa em que se faz a premiação do vencedor. Se existe alguma semelhança da política com o reality show, essa seria o fato de que todos estamos “dentro da casa”. Todos participamos do programa, não há expectadores...

Meus caros alunos. O que tem acontecido nessas eleições é um atentado à inteligência de todos nós. Prestem atenção no que está acontecendo. A acusação de que o outro lado é mentiroso está sendo utilizada para poder mentir sem nenhum tipo de escrúpulo. A acusação de que o outro lado é corrupto é uma maneira de acobertar o passado e o presente marcado pelo desvio e mau uso do dinheiro público. Há uma demonização da Dilma a partir de questões polêmicas em nossa sociedade como o aborto e a homossexualidade. Mas eu lhes pergunto, onde essa linha de argumentação nos leva, senão à reprodução de velhos preconceitos e estigmas? Para que serviram nossas aulas? Para continuar vendo as coisas em preto e branco, como se existisse sempre o bandido e o mocinho? Não gente, as coisas são mais complicadas e vejo que a tentativa de simplificar representa um grande retrocesso e um ato de violência contra nossa inteligência. Vejam o artifício: se Serra utiliza-se do subterfúgio criado nos bastidores de sua campanha de que Dilma é bandida, para ser o "outro lado da moeda", ou seja passar mocinho. Vejo ai dois problemas. O primeiro é querer simplificar a política nesses termos (mocinho x bandido). Segundo é a própria figura de Serra. Qual é o fundamento para declarar-se ser o mocinho dessa eleição além de ter veiculado a imagem de Dilma como bandida? Olhem direito e vocês não conseguirão encontrar nada, apenas jogo de palavras e de imagens ...

Muitos poderão dizer, “espera aí Marcelo, e o que você diz todas as acusações e denúncias veiculadas pela imprensa?” Bem, já reconheci que há erros graves nos governos do PT. Mas há muito mais que isso. Acredito que em várias aulas tive a oportunidade de dizer que sou contra toda e qualquer forma de censura à imprensa e que como educador apostava em nossa capacidade discernimento. Não há muito o que dizer sobre a imprensa a não ser que ela tem seus interesses (econômicos, políticos e ideológicas) e que utilizam de sua força para influenciar a opinião pública. Mas nem por isso ela deve ser censurada.

Como minha trajetória como professor inclui duas regiões do Brasil gostaria de dar alguns recados.

1) Aos meus alunos de São José do Rio Preto, Mirassol, Catanduva, Fernandópolis e Pereira Barreto. Gente o Brasil é muito grande e as realidades muito diversas. O nordeste não é apenas seca e praia, é muito, muito mais. Aqui tem muita gente batalhadora e digna, tal como existe no sudeste. Os brasileiros de todos os estados brasileiros, inclusive, os da região nordeste, tem sua própria história e suas próprias tradições. Não se deixam enganar. Não é um bando de esfomeados que dependem apenas da bolsa família para sobreviver. Se tem gente que se acomoda com esse benefício social, isso não tem absolutamente nada a ver com o local em que nasceram e vivem. É preciso que se diga que o Estado de São Paulo não seria o que é hoje sem o trabalho e o suor de muitos brasileiros originários de vários estados do nordeste e do norte.

2) Aos meus alunos de Itabaiana. Queridos, por favor, olhem ao redor, veja o que mudou em sua cidade e em sua região. As coisas mudaram ou não mudaram? Não olhem para o seu mundo com olhos alheios, com olhos de gente que menospreza e desconhece essa região do Brasil. O nordeste e o Estado de Sergipe tem muito a ensinar ao resto Brasil. Assumam o seu lugar, que é o de protagonista da história desse país.

3) Para todos. O Brasil é um só, mas não pode sê-lo a partir de um único ponto de vista. É necessário que esse Brasil contemple e respeite todos os brasileiros de todas as regiões para que se torne verdadeiramente plural e democrático.

Olha pessoal, meu recado é esse. Voto em Dilma por vários motivos. Primeiro porque sei que o que está em jogo é mais do que um nome. O que está em jogo não é apenas o confronto entre Serra e Dilma, mas sim o que cada um desses nomes representa para o futuro do Brasil. Segundo, voto em Dilma porque que acredito que ela avançará em relação às ações implantadas pelo governo Lula em especial na educação, área em que eu atuo há mais de 20 anos. Nesse ponto, creio que Lula foi muito superior a FHC e que Dilma o será em relação à Serra.

Gostaria que vocês também votassem em Dilma por esses e outros motivos. 

Gostaria que colocassem na balança os prós e os contras do governo Lula e que decidissem o voto de vocês com base nessa ponderação. Para mim, apesar de haver pontos negativos, há mais pontos positivos. Penso em especial nos avanços no campo da educação. Para esclarecer sobre esse assunto reproduzo um trecho do documento assinado por 37 Reitores e 11 ex-Reitores de Universidades Federais e entregue a candidata Dilma.

“Não aceitaremos o retorno de situações como a que predominou no passado recente, quando, na contramão da história, os orçamentos das instituições federais de ensino superior despencaram em 25%, relativamente aos seus valores históricos, com o sucateamento correspondente do parque universitário federal.

As políticas públicas do atual Governo com firmeza e decisão tomaram a Universidade federal como opção de referência em qualidade e de integração nacional. Os avanços são inegáveis: recuperação orçamentária; expansões com a criação de quatorze novas Universidades e mais de cem campi em todas as regiões do país, fora das capitais; criação da Universidade Aberta do Brasil, que em breve proporcionará seiscentas mil novas vagas no sistema público federal; liberação de recursos para novos investimentos, como laboratórios, bibliotecas e salas de aula; aumento real dos orçamentos para ciência, tecnologia e inovação. Nesse âmbito, um exemplo de grande expressão é o Programa de Apoio aos Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), com investimentos na ordem de oito bilhões de reais.

Até 2012 serão 93.319 novas vagas e 1.285 novos cursos de graduação. Destes, 696 são noturnos, 331 de licenciaturas, 640 de mestrados e 428 de doutorados. O total de matrículas gratuitas e de qualidade alcançará 1,1 milhão de alunos. Neste momento também não podemos deixar de mencionar que a reestruturação e a ampliação do financiamento dos hospitais universitários em muito colaborou para a melhoria da saúde pública, especialmente, para aqueles usuários mais necessitados.”

Como podemos ver é inegável o crescimento dos investimentos na educação superior pública. Não é isso que todo mundo anda dizendo, que a educação é a base de tudo? Não vivemos cobrando que façam no Brasil o que foi feito em países como Japão, Coréia que viveram uma verdadeira revolução na educação que alavancou a economia, a cultura e qualidade de vida desses países? Agora que estamos no início dessa revolução no Brasil, vamos por tudo a perder?

Meus caros alunos. O 

mais importante de tudo, seja qual for o seu voto, não se deixem levar pelo preconceito, pela indiferença às pessoas e pelo desrespeito à verdade, à ética e, sobretudo, à você e à sua capacidade de pensar por conta própria.

Um grande abraço.

Marcelo Ennes

 



Escrito por marcelo às 14h44
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   Para além da Casa Grande e da Senzala.

Há quatro anos trabalho em um campus da Universidade Federal de Sergipe que faz parte do programa de expansão do Governo Federal em Itabaiana localizado no agreste sergipano. Nestes últimos oito anos foram criados cerca 130 novos campi de Universidades Federais em todo o Brasil. Em quase sua totalidade, esses novos campi foram implantados em cidades do interior do país.

Hoje o Campus de Itabaiana da Universidade Federal de Sergipe possui 100 professores efetivos. Esse corpo docente é formado, majoritariamente por professores doutores. Os mestres representam uma outra parte significativa dos professores. Pouquíssimos são apenas graduados. Pode-se dividir esse grupo de profissionais entre os mais jovens, recém doutores e mestres, e doutores e mestres que há mais de uma década trabalhavam na iniciativa privada. Enquadro-me entre esses últimos. Por 16 anos trabalhei em instituições privadas de ensino superior. O motivo principal que me levou a participar dos cursos públicos para docente nas Universidades Federais foi o fato das instituições privadas terem começado um processo sistemático de demissão de doutores. Esse quadro negava, e ainda nega, o princípio básico de que se deve estimular a qualificação profissional, no caso o doutoramento...

O campus de Itabaiana conta atualmente com aproximadamente 2500 estudantes e em agosto de 2010 formamos as primeiras turmas de seus cursos de graduação. É importante que se diga, FORMAMOS as primeiras turmas. Muitos desses alunos passaram pelos programas de Iniciação Científica, Extensão e Monitoria da UFS. Espera-se, com isso, ir muito além de um simples diploma de curso superior. Para se ter uma idéia da importância desse feito, em 2000 praticamente 50% da população rural do Estado de Sergipe era formada por analfabetos funcionais e mais de 70% dos pais dos alunos que ingressaram no Campus de Itabaiana em 2006 eram analfabetos.

Tenho esperança de que a presença da Universidade Federal de Sergipe em Itabaiana contribua, em médio e longo prazo, para aumento significativo do nível de especialização e capacitação da mão-de-obra, mas também, para a diminuição do número de homicídios, da violência contra a mulher e contra a criança e para o desenvolvimento e consolidação de uma cultura democrática na região do agreste sergipano.

Devo ressaltar que os investimentos públicos para a implantação do campus de Itabaiana, cerca de 10 milhões de reais, tem sido objeto de intensa e rigorosa fiscalização do próprio governo federal por meio da Controladoria Geral da União (CGU) e de órgãos externos, como o Tribunal de Contas da União (TCU).

Como diretor do Campus, tenho um número de celular e um cartão corporativo. O primeiro utilizo para contatos profissionais e o segundo para gastos emergências essenciais para a manutenção do campus. Minha conta limite do celular é de 100 reais e quando ultrapasso esse valor pago a diferença diretamente na conta da união. O uso do cartão corporativo é ainda mais restritivo. Os 1.600 reais que o campus dispõe (800 para compras e 800 para serviços) seriam impossíveis de serem usados em razão das restrições legais se não tivesse uma equipe formada por um contador e um administrador trabalhando em conjunto na gestão desses gastos.

Esses detalhes são importantes para oferecer um contraponto em relação à idéia generalizada a respeito da corrupção do governo federal. Nenhum ato de corrupção ou de desvio de dinheiro público é justificável, mas fico me perguntando o que seria de todos esses investimentos do governo federal na educação superior nos últimos 8 anos sem que esses mecanismos de controle, parte deles do próprio governo federal, não existissem. Ou seja, esse mesmo governo que é acusado de corrupto foi que o intensificou a atuação de órgãos de fiscalização. Com base em minha experiência pessoal posso dizer que os investimentos públicos federais tem sido acompanhado pelos necessários, ainda que falíveis e insuficientes, mecanismos de controle e fiscalização.

Relato essa experiência porque sei que muitas pessoas para quais enviarei esse texto não conhecem de perto a realidade que hoje eu vivo. Muitos dos meus ex-alunos e colegas de trabalho de São José do Rio Preto, Catanduva, Fernandópolis, Mirassol e Pereira Barreto no interior do Estado São Paulo tem acesso a realidade do nordeste brasileiro apenas por meio da imprensa ou em viagens de turismo. Por outro lado, percebo um desejo e uma tendência de negar o fato que o Brasil é desigual por motivos históricos e estruturais e de atribuir as causas da pobreza, da violência e da falta de perspectivas de futuro a motivos pessoais e individuais.

Nessa mesma linha, é com indignação que vejo que parte da oposição à candidatura de Dilma à Presidência da República, em todas as regiões do Brasil, inclusive em Itabaiana, tem como únicos fundamentos o preconceito e a desinformação.

Quero deixar claro que votar em Serra não é um crime ou o fim do mundo. É uma opção e um direito no contexto da democracia. O incomodo tem a ver com os argumentos, ou a falta deles. Por exemplo, as Igrejas tem feito campanha contra a Dilma por ela ter, supostamente, se declarado a favor da discriminalização do aborto. Ou seja, a candidata teria se posicionado, se realmente o fez, a favor do aborto deixar de ser um crime. Isso não quer dizer que ela, pessoalmente, seja favorável ao aborto. Mesmo que ela fosse, o presidente da república, na democracia, não tem como fazer valer sua opinião porque a democracia é o reino das leis e as leis dependem dos poderes instituídos. Discriminilizar o aborto não seria obra apenas do executivo, mas também do legislativo e do judiciário. Gostaria que o Serra se pronunciasse claramente a esse respeito, principalmente, porque ele se diz um especialista em saúde pública.

Outro preconceito veiculado nos bastidores da campanha é que Dilma é homossexual. Particularmente defendo que a orientação sexual é assunto de fórum íntimo e pessoal. Do mesmo modo, compartilho com o princípio segundo o qual a competência e o caráter das pessoas independem do fato de serem mulheres ou homens, homossexuais ou heterossexuais. E o Serra como se posiciona a respeito de tema?

Tenho ouvido que Dilma é bandida. Creio que isso esteja associado ao fato de Dilma ter sido fichada e presa durante o Regime Militar. Neste caso, existem várias possibilidades de interpretação. A primeira, com o qual discordo e me oponho, é o ponto de vista a partir do qual se faz essa afirmação. Isto é, se olharmos do ponto de vista do Regime Militar, de seus governos e das idéias e princípios que defendia, de fato, a Dilma pode ser vista com uma bandida. Afinal, ela se opôs a Regime Militar e ao Estado Ditatorial e por isso ela foi presa e torturada. Se você é a favor do Regime Militar e contra a democracia então, tudo bem, a Dilma é uma bandida mesmo.

Mas existe outra possibilidade de pensar a prisão de Dilma. O Regime Militar implantou um Estado Ditatorial sem liberdades e garantias para o cidadão. Contra essa situação muitas pessoas lutaram, muitas foram presas e torturadas, como a Dilma; outras exiladas, como o Serra; e outras ainda, mortas. Dessa perspectiva, a Dilma não é uma bandida, para mim, nesse aspecto, ela é um exemplo, uma heroína. Preservou sob tortura o nome de colegas de militância e luta contra uma ditadura que afetava não apenas a vida dela, mas de muitos brasileiros. Gostaria de ouvir da boca do Serra se ele, como ex-exilado, também acha a Dilma uma bandida...

Uma última confusão (para não dizer mentira) é que Dilma não governará sem Lula.

Também fico pensando sobre isso. Acredito sinceramente que a Dilma tem qualidades técnicas e políticas para exercer a chefia do executivo brasileiro. Por outro lado, não se pode deixar de notar que a questão não é apenas o nome de uma pessoa. O foco, perdido, deve estar nos projetos políticos para o Brasil.

Nesse aspecto vejo uma diferença substancial entre o projeto do PT e seus aliados e o do PSDB, DEM e seus aliados. A diferença pode ser ilustrada pelo crescimento do número de Universidades Federais e de seus Campi por todo o Brasil durante o governo Lula em contraposição o estado de calamidade que as mesmas universidades ficaram ao final do governo do FHC. O curioso é que o presidente intelectual quase destruiu as universidades federais e o presidente considerado analfabeto as ressuscitou.

Em resumo, eu diria que o PSDB, DEM e seus aliados, representados por Serra, tem um projeto nacional elitista. Até acredito que eles pensam nos pobres. Mas eles pensam nos pobres como pobres, isto é, como uma parcela da sociedade que deve ser amparada e assistida, mas para continuarem a serem pobres para que outra parte da sociedade, bem menor, possam ter os benefícios da profusão dos bens e da sociedade de consumo. Isto é quase uma reedição da velha estrutura social brasileira baseada na separação entre a Casa Grande e a Senzala. É como um aluno meu disse certa vez, “professor, como pode existir ricos, se não existir pobres...” Ele não estava sendo irônico.

O projeto do PT e seus aliados, representados por Dilma é diferente. É o projeto que leva universidade pública para o interior do país, para os filhos de analfabetos, é o projeto que cria esperança e expectativa de um mundo diferente, menos desigual e, por isso, melhor. Nesse projeto a pobreza não é condição para a riqueza, o analfabetismo ou a baixa escolaridade não são condições para o ensino superior público e de qualidade. É esse projeto que oferece condições para romper com a separação entre a Casa Grande e a Senzala ... É com esse Brasil que sonho e pelo qual luto diariamente morando e trabalhando em Sergipe em sala de aula, realizando pesquisa e projetos de extensão e dirigindo um campus da UFS no agreste... Por tudo isso e por acreditar que o caminho aberto por Lula é o melhor, mais justo, mais democrático é que defendo o voto em Dilma.

 

 



Escrito por marcelo às 19h50
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BRASIL, Nordeste, ARACAJU, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, Spanish

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